“Oh! Que saudade que eu tenho,
Que doce recordação,
Da minha casa de paia,
Que eu deixei lá no sertão!”
O Brasil ostenta indescritível potencial para se tornar o maior exportador de alimentos do planeta, tornando-se assim o “celeiro da humanidade”.
Todavia, para se atingir este resultado, há desafios que devem ser superados, para os quais se exigirá esforço integrado, envolvendo os agentes campo-indústria-governo-mercado-investidores.
Atualmente, aproximadamente cento e oitenta mil pessoas entram no mercado de alimentos por dia. Há, portanto, um mercado promissor a ser explorado em todas as suas vertentes, proporcionando consequentemente ganhos vultosos para o futuro empreendedor. Por corolário, passarão ao largo de crises econômicas.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), estima-se que em 2024 o Brasil tornar-se-á líder mundial enquanto exportador de commodities agrícolas, substituindo os Estados Unidos, atualmente maior exportador de soja e milho. No mesmo período o Brasil assumirá a liderança nas exportações de carne bovina.
Para o Ministério da Agricultura, a agricultura brasileira terá que crescer exponencialmente, garantindo melhor aproveitamento das áreas plantadas para se atingir elevados níveis de produtividade. Ressalta-se a importância de adubação adequada, e não simplesmente o uso de sementes de alta qualidade. Adoção de novas tecnologias, como o plantio direto na palha (PDP ou SPD) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILP ou ILPF), são caminhos para a sustentabilidade ambiental e econômica da produção de alimentos.
Cediço que muito ainda haverá que ser feito, como controle efetivo das pragas das lavouras sem uso (ou com uso restrito) de agrotóxicos, primando pela qualidade dos produtos e potencializando seu consumo em mercados consumidores mais exigentes. De quebra, atentando para o cumprimento da legislação ambiental, a fim de se garantir um crescimento sustentável da atividade econômica.
Sabe-se que as estradas brasileiras oneram em demasia o custo dos produtos agropecuários. Caberá aos governos federal, estaduais e municipais viabilizar projetos de infraestrutura para escoar a produção, do interior do País para os portos, eliminando custos desnecessários e proporcionando, com isso, oportunidades de ganhos para as indústrias e as empresas de engenharia, com construção de galpões, modernização de portos, abertura de ferrovias, estradas etc.
Para aqueles que atuam no segmento da tecnologia da informação, softwares específicos poderão ser desenvolvidos, a fim de se facultar ao produtor controle efetivo das condições de plantio de cada metro quadrado de sua propriedade, adotando-se, por exemplo, sementes e defensivos em conformidade com os perfis dos terrenos.
O beneficiamento dos grãos antes do embarque, por parte da indústria, agregando maior valor às commodities, acarretará forte incremento nas receitas com exportação. Dessa forma, transformar a soja em farelo, óleo ou carne representa mais ingresso de divisas do que simplesmente vende-la em grãos. Veja-se: estima-se que o comércio internacional de soja deve saltar de 112 para 150 milhões de toneladas em dez anos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Há espaço para os empresários que queiram atuar na produção de insumos agrícolas. Sabe-se hoje que o Brasil tem significativa participação na importação de defensivos agrícolas, em patamar próximo de 75% das 32 milhões de toneladas de fertilizantes que utiliza. A implantação do Plano Nacional de Fertilizantes proporcionará o surgimento de novos negócios, com pesquisa, desenvolvimento e produção de novos defensivos.
Mas talvez o maior gargalo que se encontra hodiernamente no agronegócio seja justamente a necessidade de revisão de rotinas trabalhistas. A falta de mão de obra campesina e o peso dos encargos trabalhistas indicam a premente necessidade de se aprovar leis para o setor, que considerem as condições especiais de trabalho no campo. O oferecimento de melhores salários atrairá, por certo, profissionais experientes para a atividade. Apesar dos altos investimentos em automação, a necessidade do trabalho humano estará sempre presente. O País requer profissionais qualificados a atender as tarefas de rotina nas fazendas, com vistas à ampliação da produção.
No campo tributário, desonerações devem ser implementadas largamente, eliminando dos produtos alimentícios qualquer vestígio de tributação nas diversas etapas da cadeia produtiva, ou reduzindo substancialmente os tributos incidentes sobre o consumo, mormente em função da aplicação do princípio constitucional da seletividade em função da essencialidade.
Adotando os governos uma pauta de desenvolvimento que vise eliminar tais gargalos, certo é que o Brasil atingirá o status apontado, de celeiro da humanidade. E talvez as “casinhas de paia” sejam substituídas por moradias adequadas – sem perder a sua essência, é claro -, garantindo melhor qualidade de vida ao povo do campo e fixando-os nas regiões produtoras, evitando o êxodo rural.
Coemntários
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