O Correio Braziliense trouxe a seguinte “manchete”:
“Espíritas criticam apoio do líder Divaldo Franco a Jair Bolsonaro
Após receber Jair Bolsonaro na Mansão do Caminho, Divaldo Franco é criticado por seguidores do espiritismo que defendem justiça social ampla, geral e irrestrita” (disponível em https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/08/5033130-espiritas-criticam-apoio-do[1]lider-divaldo-franco-a-jair-bolsonaro.html ).
Tudo porque o famigerado médium espírita Divaldo Pereira Franco recebeu a Insígnia da Ordem do Rio Branco, em reconhecimento pelo trabalho social que tem desenvolvido em prol da coletividade, desde os anos de 1952, na Mansão do Caminho.
Traz a tal “manchete” comentários de “espíritas”, cujos nomes sequer irei declinar, vez que são criaturas até então por mim absolutamente desconhecidas. Uma delas se diz “educadora espírita” e “anarquista”, participando de evento denominado “Espíritas à esquerda” (ou Esquerda Espírita, não importa, como se ao Espiritismo fosse dado “tomar partido” que não o do aprimoramento moral do ser humano, à luz do Cristianismo).
Segundo um desses indivíduos, que se intitula escritor espírita (nunca vi qualquer obra de sua titularidade), “Eu e muitos outros companheiros de doutrina espírita jamais aceitaríamos algo semelhante vindo de um presidente que desrespeita a vida com declarações escancaradamente machistas, homofóbicas, racistas e misóginas”. A “educadora espírita”, por sua vez, alega que a “A direita que é burra e monotônica!” Palavras dela, lavradas em resposta à quem comentou que ela apoiava partido político longe dos princípios cristãos.
O mais surpreendente foi ler que o “escritor espírita” assevera que Divaldo é “fruto de uma construção social que contribui para que a classe média que compõe o movimento espírita continue ‘inculta, reacionária, ranzinza, hipócrita, moralista, temerosa do comunismo e avessa ao progresso’”. Em outras palavras, na esteira dessas absurdidades é dizer que o Espiritismo existe para manter as pessoas na pobreza e que, ao permitir a existência de benfeitores encarnados e que socorrem as pessoas menos aquinhoadas, contribuem para o incremento da vaidade humana. Tipo: “Vejam como eu sou bonzinho; eu faço caridade!”
Ora, convenhamos: 99,99% das pessoas que praticam caridade, em qualquer forma como e onde ela possa se manifestar, seja no seio das casas espíritas, das igrejas ou dos templos evangélicos, cumprem a máxima Crística: “Não saiba a vossa mão esquerda o que faz a direita!”
E há que se falar, ainda, nesses inúmeros e ocultos benfeitores que, malgrado não pertencerem a nenhuma corrente religiosa, dedicam sua vida ou parte de seu patrimônio em prol dos mais necessitados.
Diante, pois, de uma pessoa sedenta, negará o indivíduo a água que sacia a sede? Certamente que não.
Até que o ser humano evolua e aperfeiçoe as suas instituições, o exercício da caridade material ainda será uma exigência nessa casa que Deus nos concedeu para vivermos.
Tais entrevistados, por certo, violam preceitos imorredouros trazidos por Allan Kardec, lá nos idos de 1862, na Revista Espírita:
Devo ainda chamar a atenção para outra tática de nossos adversários: a de procurar comprometer os espiritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da Doutrina, que é o da moral, para abordarem questões que não são de sua competência e que poderiam, com toda razão, despertar suscetibilidade e desconfianças.
Também não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quanto disser respeito à política e às questões irritantes, nesse caso, as discussões não levarão a nada e apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém questionará a moral, quando ela for boa.
Procurai no Espiritismo aquilo que vos pode melhorar; eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais verdadeiramente úteis serão uma consequência natural.
Vale aqui reproduzir as palavras de Wladsney Lopes, em seu artigo intitulado Espiritismo e Política (disponível em https://cafecomkardec.com.br/home/espiritismo-e-politica/ ):
“Ao pensarmos de que modo Espiritismo e Política podem conviver, o alerta de Allan Kardec é suficiente para os verdadeiros espiritas entenderem que não estamos impedidos de participar e nos posicionar nas questões políticas, buscando levar os conceitos Espiritas para a política e nunca trazendo a política para o Espiritismo.”
Sim, eu concordo com o preclaro articulista. Não há que se trazer a política e suas ideologias falíveis para dentro do Espiritismo, mas sim, urge levar os princípios cristãos para dentro da política. Não há que se admitir ideias típicas de regimes totalitários, que negam a continuidade da vida após a morte e assim tornam o ser humano um mero joguete a serviço do Estado. Basta verificar, ao longo da história, o que partidos totalitários produziram e ainda produzem, em termos de violação a princípios elementares ao ser humano, como o direito à vida e à liberdade.
Voltando a Divaldo Franco, sua vida é um exemplo de renúncia e de dedicação às causas sociais. “Toda árvore boa produz bons frutos” (Mt, 7: 17). Não iremos aqui descrever tudo o que ele fez em prol não do Espiritismo, estritamente considerado, mas pelo Cristianismo, vez que a base dos ensinamentos espíritas se assenta nos ensinos do Cristo e que são atemporais, simples e de uma logicidade ímpar.
Para esse espírito em evolução e que ora redige estas despretensiosas considerações, as palavras de Divaldo Franco valem mais do que as de qualquer um desses entrevistados, na citada reportagem, cujo teor das falas infelizes não representam o entendimento dos espíritas, como ardilosamente querem induzir o leitor a pensar. Seu exemplo de vida vale mais do que quaisquer doutrinas humanas, falíveis estas tanto quanto são os seus falíveis idealizadores.
Kardec também alertou, há quase 200 anos, que o Espiritismo, depois de lutar contra os seus achacadores externos, haveria de enfrentar as hostes do Mal, que tentariam dividi-lo para dominar. Juvanir Borges de Souza, ex-Presidente da Federação Espírita Brasileira, em artigo escrito na Revista Reformador, de outubro de 1973, intitulado Dissensões e Incompreensões, advertia, relembrando o Codificador: “Confirma-se a constatação de Kardec de que os piores inimigos do Espiritismo, após as lutas com seus oponentes de fora, abrandadas com o tempo, estariam dentro do Movimento”. E arremata: “Eles alimentam as dissensões, caluniam, ditam normas, atacam pessoas e instituições respeitáveis com a maior sem-cerimônia, tudo em nome da ‘sua’ verdade”.
Por fim, há que se atentar para as palavras de Paulo, em sua 1ª Carta ao povo de Corinto: “Mas o espirito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”. (4, 1:2)
Todo o cuidado é pouco. Permitir um dirigente de casa espírita que indivíduos que advogam contra os princípios cristãos discursem nessas instituições – por mais que seu discurso esteja envernizado, mas sabendo-se que é sofismático – é contribuir para a degeneração do Cristianismo e consequentemente, do Espiritismo. Que é, efetivamente, o que anseiam os espíritos ainda estacionados em faixas evolutivas precárias.
Coemntários
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