EDUCAÇÃO PARA O INTELECTO É PARA O ESPÍRITO?

  • Por: Amaury Rausch Mainenti OAB-MG nº 86.310
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“A essência de Buda é a da grande compaixão e benevolência. Sua grande compaixão o leva a salvar a todos os homens. Sua benevolência o leva a afligir-se com a doença dos homens e a sofrer com o sofrimento deles” (A doutrina de Buda. Direitos autorias pertencentes a Bukkyo Dendo Kyokai – Fundação para Propagação do Budismo. 3ª ed. 1982: p. 29).

Há uma notória relação entre o pensamento budista e a compaixão e benevolência de Jesus. Ambos tinham a iluminação da alma (ou espírito) como norte. Jesus afirmou, em seu tempo: “Vós sois deuses!”, e Buda, em seu último ensinamento, disse: “Fazei de vós mesmos uma luz!”

Buda não foi esfolado vivo como o foi Jesus, que sofreu os martírios cruéis dos açoites e da morte infame na cruz, tornando-se esta um sinal evidente de que o caminho da iluminação envolve, por vezes, sacrifícios físicos e morais.

A vida humana é a grande escola, para se aprender a lidar com a matéria e com o desapego, dado o caráter transitório da vida. Dizia Jesus para entesourarmos tesouros no céu, que as traças e a ferrugem não corroem. Buda, na mesma esteira da Doutrina Cristã, afirmava que o propósito dos seus ensinamentos é o controle da nossa mente: “Abandonai a cobiça, e conservareis o corpo íntegro, a mente pura e vossas palavras serão as palavras da verdade. Se nunca esquecerdes o caráter transitório da vida, podereis resistir à ganância, à ira e podereis também evitar todos os males” (op. cit., 1998: 21).

Na resistência à ganância, face à precariedade da vida humana, não se encontram aí também os mandamentos cristãos? Não estão neles concatenados os meios para se educar o espírito, atingindo a iluminação? É para refletir…

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