Achei deveras interessante as assertivas consignadas por determinado jornalista, em um periódico de grande circulação nacional, dizendo que “empreender” não é um “dom” que qualquer pessoa tenha sido agraciada, ou por bênção divina ou por herança hereditária. Seria possível afirmar que as ideias, postas em prática no mundo real, dependeria das benesses divinas ou de disposições de DNA?
Ouso afirmar que não.
Gosto de voltar os olhos para os empreendimentos que foram sucesso. Vejam o caso da montadora de motocicletas Harley-Davidson. Seus fundadores, pessoas que tinham conhecimento de engenharia mecânica, instalaram um motor em uma bicicleta e, no espaço de vinte anos, aproximadamente, se tornaram o maior fabricante mundial de motocicletas, sendo a marca, hoje, reconhecida e admirada pelos amantes do motociclismo e, por que não dizer, copiada por inúmeros fabricantes de outras nacionalidades.
A Coca-Cola, quem diria, resultou de uma fórmula desenvolvida por um médico americano, que a vendeu, junto com o material utilizado na fabricação do produto (um tacho grande antigo de cobre e uma enorme colher de pau), para um farmacêutico por exatos quinhentos dólares. Ele jamais poderia supor que este pequeno investimento faria transbordar daquele tacho tanto ouro. Uma cornucópia mágica! A lâmpada maravilhosa de Aladim! E o que se tornou a Coca-Cola, nos dias hodiernos? Mundialmente conhecida.
Henry Ford, segundo relata Napoleon Hill (Quem pensa Enriquece. São Paulo: Ed. Fundamento, 2009, p. 171), “começou sua carreira no mundo dos negócios com a desvantagem da pobreza, do baixo nível de instrução e da ignorância. Também se sabe que, dentro do incrivelmente curto prazo de dez anos, ele superou suas deficiências e, em vinte e cinco anos, era um dos homens mais ricos da América”. Hoje, a Ford é, reconhecidamente, um líder mundial na venda de veículos automotores.
E o que não dizer do Google e do Facebook? Empresas que nasceram quase que em decorrência de uma brincadeira – sem menosprezar com tal assertiva a capacidade intelectual dos seus idealizadores -, e que hoje valem milhões de dólares!
Há os casos de pessoas de sucesso, que sonharam com uma carreira musical ou pictórica, enfrentaram inúmeros percalços e hoje vendem milhões de discos ou suas obras de arte valem somas expressivas
Mas o que há de comum entre todos estes exemplos?
Havia uma ideia na alma de cada um, o desejo ardente por transformá-la em realidade, um mercado consumidor promissor e muito empenho na sua realização.
Isso não significa, por certo, que o planejamento deva ser relegado a segundo plano, ou que o conhecimento seja desnecessário ao êxito da empreitada. Não. Além de todas aquelas características, o conhecimento interdisciplinar é essencial ao sucesso do negócio. E este pode ser adquirido. Basta querer.
A experiência adquirida pelo empreendedor, bem como a sua formação acadêmico-cultural são importantes. As universidades fornecem o conhecimento mínimo necessário ao desempenho desta ou daquela profissão. Ensinam o indivíduo a ser advogado, médico, contador, dentista. Mas não ensinam a empreender. Talvez porque seus diretores igualmente julguem que tal verbo se refira a um dom divino. E, como já afirmado, não é bem assim.
Cursos especiais de treinamento, relativos à atividade-fim do negócio, bem como em relação àqueles que envolvam atividades auxiliares, contribuem decisivamente para o êxito de qualquer negócio.
Vale destacar que, por mais que se planeje, é claro que nem todas as situações poderão ser vislumbradas pelo empreendedor. Uma crise mundial, como aquela que afetou vários negócios ao redor do mundo em 2009, é algo que pode ser previsto. Mas todos os seus efeitos podem ser imediatamente dimensionados? Nem sempre.
Não existem limitações para a mente, exceto as que nós mesmos criamos. Você é o que você pensa ser. E cultivar a esperança, a fé, a coragem, a paciência e a persistência, aliados a um bom planejamento, devem sempre ser considerados.
Todavia, dar o primeiro passo será, sempre, o princípio de toda e qualquer realização.
Coemntários
Sem comentários to “Empreender é dom divino ou hereditário?”
No comments yet.