VITTORIO EMANUELLE II. GIUSEPPE GARIBALDI. GIUSEPPE VERDI. MAINENTI TRIBUTOS: A ORIGEM DE UMA MARCA!

  • Por: Amaury Mainenti
  • Artigo
  • 0 Comentários

Muitos indagam acerca da origem do sobrenome MAINENTI e a respectiva logomarca.

Nossa logomarca foi desenvolvida pelo Prof. Amaury Mainenti, em parceria com Jo Alves e “refinada” pelo pessoal da Agência Spasso.

A mudança da logo se deveu a duas diretrizes:

primus, dado o rompimento com as circunstâncias fáticas que colaboraram para a elaboração da antiga logomarca;

secundus, prestar uma justa homenagem aos nossos ancestrais, que, após as guerras de unificação da Itália, resultaram no processo de migração de milhares de italianos, que buscavam nas Américas condições mais adequadas de vida.

Apenas a título de breve esforço mnemônico e de forma bem resumida, a península itálica era dividida em diversos estados, postos sob o domínio de outros países. Entre 1815 e 1870, o Rei da Sardenha, Vittorio Emanuelle II, encabeçou um movimento de luta pela integração do território italiano, que ficou conhecido pelo vocábulo Rissorgimento (Ressurgimento). Através de uma guerra nacionalista contra o Império Austríaco sem trégua e movimentos revolucionários, paulatinamente foram sendo conquistados tais estados (1848-1849), compondo o que, por volta de 1860, ficou conhecido como Reino de Itália.

(Vittorio Emanuelle e Piazza Vittorio Emanuelle)

Giuseppe Garibaldi foi um líder que lutou nessa guerra pela unificação. Conquistou a Sicília e Nápoles. Grande estrategista militar, na batalha por Palermo, seus 1070 soldados derrotaram o exército adversário, formado por 20.000 homens. Ainda que republicano, preferiu outorgar a Sicília, e, depois, Nápoles (respectivamente, abril e setembro de 1860), a Vittorio Emanuelle II. Para Garibaldi, era melhor uma Itália unificada, ainda que sob regime monárquico, do que vê-la dividida.

(Garibaldi)

E o que tem a ver o grande Giuseppe Verdi (1813-1901) com tudo isso? Ora, Verdi foi compositor das óperas nacionalistas-românticas italianas mais famosas, ao lado de Giácomo Puccini (1858-1924), sendo aquele motivo de inspiração para este, que optou por essa via de manifestação músico-teatral após assistir à ópera Aida. Ao tempo da composição e apresentação da ópera Nabucco (apresentada no Teatro Scalla de Milão, em março de 1842), significativa parte do território italiano se encontrava sob o domínio do império Austro-húngaro. O povo italiano, cansado desse domínio, identificou-se logo com a hodiernamente famigerada Va, pensiero, entoada pelo Coral, que narra justamente a saga dos exilados dos escravos hebreus na Babilônia. Não sem outra razão esta peça se tornou – para alguns estudiosos – o segundo Hino da Itália, tendo sido Verdi identificado por curiosa analogia: V.E.R.D.I: Vittorio Emanuelle, Re di Italia!

(Verdi)

(Puccini)

Vittorio Emanuelle foi proclamado Rei de Itália em 17.03.1861, e o movimento de unificação completou-se com a anexação de Roma, em 20.09.1870.

É por volta desse ano que começa o movimento migratório dos italianos. E pode-se dizer que isto soa como perfeitamente plausível. Afinal, um estado nascente, que não oferecia condições adequadas de vida para os seus súditos, fatalmente arcaria com essa busca por novos ares.

A travessia do Atlântico não era fácil. Normalmente, era nos portos de Gênova e Nápoles que os italianos embarcavam com seus familiares e poucos pertences em navios vapores, ocupando as partes inferiores dos conveses. Tais embarcações transportavam, em média, 1.800 passageiros a cada viagem, que durava cerca de 30 dias. As condições de vida a bordo, se não eram tão precárias quanto à dos portugueses que se lançaram à conquista das terras além do Atlântico, eram igualmente penosas, levando ao falecimento de muitos imigrantes.

    

(Navios Arno e Perseo)

 

Daí pode-se imaginar o que esses corajosos, desesperados e, ao mesmo tempo, esperançosos seres humanos enfrentaram.

Ante a imposição de restrições à migração, imposta pelos Estados Unidos da América, o Governo brasileiro passou a atrair e financiar a vinda de trabalhadores italianos para cá, que foram povoar as diversas regiões do nosso território, especialmente o Sul do País, mas também São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

O grande fluxo migratório para o Brasil se deu entre os anos de 1870 e 1930, sendo que Minas Gerais foi um dos Estados que patrocinaram a vinda de italianos.

Através do exame das listas de pessoas que passaram pela Hospedaria do Imigrante, na cidade de Santos (onde eram alojadas as pessoas, antes de serem encaminhadas para os locais de trabalho), disponíveis no Arquivo Nacional, foi possível identificar a chegada da família Mainenti, composta por Giovani B.a. (57 anos), sua esposa Eugênia (56 anos) e a filha Maria (16 anos), em 14.10.1891. Vieram a bordo do vapor Arno.

Nosso Nonno, Alfredo Mainenti, era filho de Julio Jorge Mainenti. Nascido em 1912 em Belo Horizonte, exímio artista nas artes pictóricas e esculturas, posteriormente se mudou para a cidade de Dores do Indaiá, onde contraiu núpcias com nossa avó, Rita Campos, natural deste Município, dando origem aos filhos Amaury, Rêmulo, Solange, Ruggieri e Marisia Mainenti.

Eu tenho orgulho de ser filho de Amaury Mainenti, falecido em 14.06.1980, e pertencer, portanto, a essa famiglia.

    

       

(Meu avô, Alfredo Mainenti. Minha avó, Rita Mainenti, e seus filhos Ruggieri, Amaury, Marisia, Rêmulo e Solange.)

  

(Meu Tio Rêmulo e meu Pai, Amaury Mainenti. Ele, aos 28 anos. Minhas tias Laura e Solange)

(Vista da cidade de Dores do Indaiá – MG)

 

  

   

 

(Da esquerda para a direita: escultura feita por Alfredo Mainenti. Retrato de Zé Rufino, por Amaury Mainenti. Eu e minhas obras, com exposição na Galeria Otto Cirne, atividade à qual nos dedicamos nas horas vagas)

Veja-se que as Artes continuam a vicejar na alma Mainenti.

Portanto, em nossa logomarca, os leões colocados ao lado do círculo com a letra M indicam a força dos italianos, que lutaram com as mais diversas adversidades para se instalar no Novo Mundo. Os ramos de louros representam as vitórias colhidas diuturnamente, em cada batalha dessa guerra de sobrevivência enfrentada pelos mesmos. A coroa que encima a letra M representa o coroamento máximo dessa vitória, pois os italianos aqui se instalaram, contribuíram para o desenvolvimento do País e legaram a esta terra abençoada por Deus os seus filhos. Hoje, os ítalo-brasileiros são considerados a maior população de oriundi (descendentes de italianos) fora da Itália.

No âmbito de nossa atividade profissional e traçando um paralelo, os leões representam a nossa vontade de vencer, sempre, mas de forma transparente, ética, em compromisso com a verdade, sem submeter nossos clientes a aventuras judiciais e tendo a Justiça por farol. Os ramos de louro representam as inúmeras vitórias que já obtivemos e aquelas que ainda estamos por obter, tendo por norte os princípios colacionados. A coroa que encima a letra M é para relembrar que, se o conquistador a merece, maior esforço deve ser feito por este para mantê-la, através de estudo e aperfeiçoamento constante.

Afinal, em relação do Direito, pode-se perfeitamente dizer que “o Céu não é o limite”.

31.07.2022, por Amaury Rausch Mainenti

 

 

Postado em: Artigo

Coemntários

Sem comentários to “VITTORIO EMANUELLE II. GIUSEPPE GARIBALDI. GIUSEPPE VERDI. MAINENTI TRIBUTOS: A ORIGEM DE UMA MARCA!”

No comments yet.

Deixe um comentário