O que é viver em um país com economia estabilizada, com regras trabalhistas mais flexíveis e tributação em patamares que não inviabilizem a livre iniciativa?
É possível, ainda, viver em um país mais seguro, onde o indivíduo tenha a certeza da punição, caso pratique algum ato ilícito? Em que se possa andar tranquilamente pelas ruas, sem correr o risco de ser assaltado em plena luz do dia, à vista dos demais transeuntes?
Parece sonho? Não!
O Brasil assiste, agora, a uma nova busca do “sonho americano”. Muitos brasileiros buscam oportunidades de negócios nos Estados Unidos da América, transferindo para este País todo o patrimônio aqui amealhado.
Interessante que o citado “sonho americano”, que tem uma intrínseca relação com “terra de oportunidades”, não se vincula mais tão somente à ideia de enriquecimento, objetivo de muitos brasileiros que demandaram o território americano nas décadas de 80 e 90. O que buscam, efetivamente, os novos migrantes, são melhores condições de vida. Ora, se não os move as possíveis tentativas de enriquecimento– até porque este público possui condições econômico-financeiras diferenciadas – o que contempla a expressão “melhores condições de vida”?
O brasileiro está cansado da impunidade. De assistir diuturnamente à escalada desenfreada da violência e nada poder fazer, face à hipócrita vitimização dos delinquentes. É como se estes, uma vez destituídos do sagrado livre arbítrio, atributo inerente ao ser humano,fossem meros joguetes de forças ocultas que os destinaram ao crime. Grande engodo!
O brasileiro está cansado de arcar com uma das cargas tributárias mais altas do mundo e receber serviços públicos típicos de países primitivos. De ver a res publica (coisa pública) ser administrada por governantes como se fosseres nullius (coisa sem dono). De ser tratado pelos órgãos fiscalizadores, indistintamente, como criminosos, suportando – além da asfixiante carga tributária e cobranças escorchantes de tributos, calculados por agentes dos fiscos –as ameaças de abertura de processos criminais, sem qualquer fundamentação legal, mesmo ante à atipicidade de sua conduta.
As relações trabalhistas são outro problema. Se ontem se acenava com a desoneração da folha de pagamento, o descalabro nas contas públicas conduziu o governo a rever tal política.
A educação é sofrível. A assistência à saúde, praticamente inexistente.
Mas o que o brasileiro não suporta mais é a corrupção deslavada! Segundo a ONU, a corrupção é o maior entrave ao crescimento dos países. De fato, o que se desvia de recursos públicos no Brasil é algo gigantesco. Mais uma consequência de se tratar a Res Publica como Res Nullius. E o cidadão comum se sente impotente, ante tantos absurdos.
Por isso determinada classe de brasileiros tem demandado os EUA. E são muitos. Eles querem mais segurança. Saber que seus filhos sairão de casa e voltarão aos lares. Que os tributos pagos reverterão em benefícios sociais diretos e indiretos. Que o trabalho será remunerado de acordo com a meritocracia. Que a segurança jurídica não é um ideal, mas uma realidade.
Buscar melhores condições de vida é obrigação do ser humano na Terra. Se esta ocorre aqui, ou em qualquer outro lugar do mundo, o que importa é que a necessidade de melhorias se constitui em uma espécie de aguilhão, que impulsiona o indivíduo nessa busca.
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